Australian Dream

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Gold Coast, a costa dourada da Austrália

13 de Abril, 12.12pm, Playa Azulik

Estive uma semana de cama, apanhei dengue.
Dizem que, o que não nos mata torna-nos mais fortes. Bem… Aqui estou eu, no México, depois de apanhar dengue, deitada na areia quente com o mar a tocar-me as pontinhas dos pés.
Pensamento positivo: melhor ter dengue ao pé do mar do que nas montanhas.
Life is not so bad.

Aproveitei que tive algum tempo livre para vos escrever sobre um tema sobre a qual tenho sido bastante questionada através do Instagram – Austrália e o visto que usei.
Como já referi aqui, em outro texto, existe um visto ótimo para quem queira ter uma experiência de trabalho na Austrália, o work and holiday visa, permite-vos ficar até um ano, na possibilidade de estender por mais um ano.
Eu falei-vos deste visto no outro texto porque é a forma correta de trabalhar no país.
Mas… Não quer dizer que tenha sido a forma que usei. Não fiz este visto. [Ainda.]
Ponderei muito se ía escrever sobre isto e contar-vos tudo mas se decidi partilhar um pouco da minha vida e das minhas experiências a viajar com vocês, então faz sentido contar-vos isto também.
Entrei no país com o visto de turista e aí permaneci 3 meses. Tive sorte, embora sempre tenha ouvido dizer, que a sorte se procura, e arranjei trabalho.
Com isto, não vos digo que vão todos a correr comprar um ticket de avião e vão para a Austrália trabalhar ilegal.
Não!
O meu concelho é , não o façam!
Podem ser deportados e depois nunca mais podem entrar no país, e depois… Lá se foi o Australian Dream.
Na altura estava na Ásia, não tinha feito grandes planos, e foi o que me pareceu mais acertado.
E fi-lo. E não me arrependo.
Mas…
(A minha estrelinha brilhou sempre e tudo me correu bem.)
Mas… Conheci uma alemã que fez um voluntariado comigo na Malásia, que foi deportada diretamente para o país de origem e agora durante 10 anos não pode entrar no país.
Lembro-me de ter ficado assustada e lhe ter perguntado “E agora o que vais fazer?”. Ela respondeu “O mundo é tão grande…”. (Verdade!)

Cheguei à Austrália dia 11 de Janeiro do ano passado. Aterrei na Gold Coast – a costa dourada. A costa da areia branca mais branca. Do surf. Dos tubarões. Dos crocodilos. Das cobras. Das aranhas. A costa do país onde o Sol é mais perigoso. Onde os animais são os mais perigosos. Mas ninguém está nem aí para isso e a qualidade vida é algo inacreditável.
Costumo dizer que Austrália é uma versão dos Estados Unidos mas em versão melhorada, bastante melhorada. (Sabem que a Austrália como país tem 117 anos, ou seja, foi criado “tipo” ontem comparado com toda a história de Portugal por exemplo. Por isso quando nasceu como país, já nasceu sem as coisas más que viram que nos outros países não funcionavam.)

Cheguei às 9am, vinda da Ásia (andava há 4 meses a viajar) e uma amiga de uma amiga de Portugal tinha ficado de me ir buscar ao aeroporto. Esperei e esperei mas ela nunca apareceu (tinha tido um problema e não pode ir, conheci-a umas semanas mais tarde e tornou-se minha amiga também).
Comecei a ficar um pouco desanimada sentada naqueles bancos do aeroporto. Estava cansada, com sono e fome. A Austrália é caríssima e eu já não tinha muito dinheiro comigo. Queria poupar ao máximo, para sobreviver até arranjar trabalho. Com wi-fi do aeroporto, decidi entrar na aplicação do Couchsurfing e criei um post no meu perfil,

Olá a todos! Acabei de aterrar no aeroporto da Gold Coast e preciso de um lugar para dormir. Alguém?

Escrevi esta mensagem, sem rodeios, clara e eficaz e fui comer um croissant e beber um galão e paguei 14 dólares australianos. Engoli em seco 10 vezes antes de engolir o croissant e o galão.
“Welcome to Australia Teresita”, pensei.
A primeira mensagem chegou 20 minutos depois.
“Olá Teresa, vivo com um cubano, um australiano e uma inglesa e a casa é bem pequena. E hoje chega uma italiana para couchsurfing a quem já tinha dito que podia ficar aqui. Mas anda daí. Não vais ficar na rua.”
Era o Mário, espanhol, vivia há um ano na Austrália. Família. ❤️
Deu-me a morada. Apanhei o autocarro em frente do aeroporto e lá fui eu.
Acabei por ficar com eles mais que uma noite. Fiquei quase 2 semanas.
Mostraram-me que a lua cheia se festeja na praia à volta de uma fogueira, com música e cervejas.
Organizaram uma festa de boas-vindas para mim e de repente ali estava eu com uma nova família a viver o meu sonho australiano, na praia, com umas quinze pessoas vindas de todo o mundo, à volta da fogueira a ver a Lua e a cantar canções acompanhadas da guitarra de um deles.
Ok. Life is not so bad. At all.
Uns dias depois de ter chegado, imprimí uns 30 currículos e fui, de sorriso no rosto e com o pior inglês de sempre, bater de porta em porta à procura de trabalho.
À noite, cheguei a casa com compras do supermercado e disse-lhes “Onde se compram sapatos pretos? Começo amanhã a trabalhar! Hoje cozinho eu!”
Festa. Felicidade.
Agora faltava arranjar uma casa… E arranjei, uns dias mais tarde.
Claro que, pelo meio, aconteceram mil peripécias e nem tudo correu sempre bem. A caixa de multibanco ficou com o meu cartão e fiquei completamente a zeros na Austrália, ao início o trabalho não correu a 100% porque eu não sabia falar bem inglês e o meu patrão gritava-me à frente dos clientes, e antes da resposta positiva do trabalho recebi 1000 “não”! Mas o segredo é não desistir. Ficava triste no momento mas depois pensava “se este ‘não’ ficar em mim, a próxima porta onde entrar vai sentir e vai dizer ‘não’ também”.
Praticar uma corrente de amor e boas energias é o melhor que podem fazer para atrais coisas boas.
Foi assim que sempre fiz e resultou.
Não só nesta situação. Em toda a minha vida. E a vida tem resultado para mim.

Um mês depois de trabalhar no restaurante italiano, a Gold Coast ficou sem graça, o campeonato do surf acabou, as ondas também, a temporada baixou e a cidade estava deserta.
E na verdade, também me fartei de ouvir o velho rabugento italiano gritar comigo.
Comprei um voo por 50€ e aterrei em Sydney, uma hora depois.
Comecei tudo do zero, outra vez. Com a excepção que tinha uns amigos portugueses a viver en Manly, o bairro mais cool de Sydney, do outro lado do Harbour e fiquei a viver com eles.
Tudo fluiu de uma maneira boa, tinha amigos que falavam a mesma língua que eu, arranjei vários trabalhos em eventos, como baby sitter e num café. Conheci pessoas que vou levar para a vida e criei laços fortes com outras que já conhecia. Aprendi a falar inglês, português com sotaque do Brasil e espanhol com sotaque da Argentina.
[Há bairros em Sydney que tem mais brasileiros e argentinos a viver do que australianos.]
Sydney é uma das cidades mais multiculturais que conheci, tem imensas coisas para ver e fazer e está sempre qualquer coisa a acontecer. É fácil sentir-se bem-vindo. Tudo é super caro, é um facto , mas o salário é muito, muito bom e a qualidade de vida também.
Agora, uma coisa menos boa…
Meus amigos, não pensem que vão para a Austrália fazer a mesma vida que fazem em Portugal. Acabaram-se as cervejinhas na esplanada depois do trabalho e as saídas até às tantas ao fim-de-semana. As festas acabam cedo, o álcool é super caro, só pode ser consumido dentro de espaços adequados, como bares e restaurantes e para comprarem álcool nas ‘liquor stores’ precisam de passaporte, sempre. A partir de uma certa hora não podem beber na rua. Quase não se pode fumar em lado nenhum (e estou a falar de tabaco) e drogas são completamente ilegais.

Mas, para concluir, a Austrália vale muito a pena para ganhar e juntar dinheiro, para prender inglês (se conseguirem entender e falar o inglês ‘slang’ da Austrália, estão preparados para o mundo), para aprender surf, perder o medo dos animais mais perigosos do mundo, principalmente aranhas gigantes e peludas (vão estar sempre presentes na vossa vida), para desmistificar o sonho australiano: NÃO, nem todos os australianos são como nos filmes, altos, morenos, de cabelo comprido e surfistas. NÃO, nem todas as australianas são altas, loiras e surfistas. Vale a pena para verem um dos mais bonitos nasceres-do-Sol no Pacífico e muitas outras coisas.
Então, o meu concelho é, vão sim! Vão viver o vosso sonho australiano!

E, quem precisar, que me escreva, tenho um amigo português que conheci lá que trabalha numa agência, que trata dos vistos para a Austrália, e posso dar o contacto.

Cheers mates!!
Teresa ❤️

2 thoughts on “Australian Dream

  1. Olá Teresa, antes de mais parabéns por toda a tua coragem. Por toda a tua garra em não deixar a vida a passar. Adorei este teu post (como todos os outros). Há algum tempo que ando a querer mudar da vida. Sou educadora /professora 1ºciclo em Portugal e isto para nós está um caos. Patrões a tratarem-nos como escravos a custo de um ordenado mínimo. Tenho mesmo de mudar…
    Já tinha lido que a Austrália é um país magnífico para quem quer trabalhar, ganhar e juntar algum dinheiro. Porém, o meu inglês é “macarrónico”. Péssimo mesmo. E isto de ir sem conhecer lá ninguém deixa – me um friozinho na barriga. Não tenho a mesma coragem que tu, infelizmente. Alguma sugestão para que perca este medo?! 😉
    Beijinhos e continuação de boas aventuras. A vida é tão melhor dessa forma.

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