Tulum, “o te abraza o te escupe”

B5DA950C-597C-4F42-ADC8-1AD7FEAF7641Casa Cenote. Os cenotes são cavidades naturais, formações geológicas que conectam a superfície com águas subterrâneas, formando uma grande piscina clara e limpa. Existem mais de 7000 no México e eram usados em alguns rituais de sacrifício na civilização maia.

Cheguei a Tulum há 21 dias. Cheguei preguiçosa com vontade de relaxar, depois de umas mega férias muito felizes com a minha Carolininha. As minhas emoções estavam todas à flor da pele. Estava meia deprimida pois tinha ficado sem a minha Carol, entusiasmada com o interior do México, com as montanhas na província incrível de Chiapas e ansiosa por saber se iria conseguir um trabalho em Tulum.
Se me perguntarem – Porquê o México? Porque escolher o México para trabalhar? – Não sei!
Eu só sei que o México tem o meu coração. É tão fácil apaixonarmo-nos pelo México. E no México também.
Esta gente daqui que nos abraça com o sorriso e nos aquece com as palavras. Esta gente que tem a música no sangue, a música que nos deixa alegres mesmo nos piores dias, o mezcal (bebida parecida com o nosso bagaço) que nos faz esquecer os problemas. Como eles dizem aqui “Mezcal para todo el mal, y para todo el bien, también”. A comida que nos faz rebolar. Os tacos. Os totopos. As enchiladas. As tortas. O arroz com feijão. As praias. A natureza. Tudo.
É tão bom estar aqui. Sinto-me em casa. Sinto-me em família.
O México tem sem dúvida o meu coração.

Continuando a minha história de hoje… Cheguei e instalei-me num hostel onde pagava 8€ por noite com pequeno-almoço. Na Ásia havia mais barato (por exemplo 2€ por noite) mas para Tulum não está nada mal.
Sim! Dormia num quarto partilhado com mais 13 pessoas. Sim tomava banho de água fria. Sim isso não tem qualquer importância para mim.
E sabem porquê?
Cada vez que vou à caixinha das memórias buscar os lugares que já estive nunca me vem à cabeça quantos banhos frios tomei mas sim as pessoas que se cruzaram comigo, os lugares incríveis onde estive, os mares azuis onde nadei, a quantidade infinita de pores-do-Sol que vi, e tantas outras coisas lindas que me aquecem o coração.
Parando de divagar e voltando à minha história… Depois de cinco dias a visitar praias secretas, cenotes, comer e dormir, decidi alugar uma bicicleta e ir procurar trabalho.
– Trabalha malandra! – já dizia a minha avó.
Fui a uma papelaria imprimir o meu currículo que tenho sempre numa pen USB comigo, coloquei um sorriso na cara e lá fui eu feliz da vida cheia de boa energia procurar um trabalho. Disse a mim mesma que não voltava ao hostel sem ter um trabalho.
Estava a estacionar a bicicleta em frente a um resort na praia quando aparece o segurança a dizer que eu não podia estacionar ali. Pedi desculpa e expliquei-lhe que só iria ficar ali meia hora para entregar uns currículos. Não deixou mas disse-me que, se eu andava a procurar trabalho tinha ido ao sítio certo. Levou-me aos recursos humanos. Entrei no escritório às 10 da manhã e saí às 2 da tarde. Com um trabalho! – Estavam à procura de uma hostess.
Agradeci tanto mas tanto ao senhor. E ao meu novo patrão. E à vida.
É tão bom agradecer!
Obrigada! Obrigada! Obrigada!
O universo sempre coloca coisas boas no nosso caminho. Só precisamos estar atentos! E aproveitar.
E sim eu sei que por vezes pareço o guru da felicidade a falar e muitos me dizem que o mundo não é assim tão fácil como eu o pinto. Mas eu falo apenas das minhas experiências.
Cada um pinta o seu mundo como quiser. E a vida é fácil sim. Nós gostamos de a complicar às vezes. Eu vejo-a cada vez mais descomplicada. Aceito tudo o que ela me dá e aprendi a relativizar os problemas.
Quantas vezes temos um ‘problema’ que, se pensarmos bem nele, nem problema é? Eu antes achava que não ter mais que 10 pares de sapatos para calçar era um problema. Até ver famílias inteiras a dormir na rua no Myanmar, sem comida, sem um teto, sem água, com a maior das levezas. Num país onde é normal isto acontecer. Isto é apenas um exemplo.
Quando a vida nos dá limões… Vamos aproveitá-los para algo.

Tenho andado tão feliz que ninguém imagina. Estou feliz por acordar às 6 da manhã (ainda que não seja muito simpática até beber café). Estou feliz de tomar banho de água fria. De ir trabalhar às 7. De ver o Sol nascer no mar todos os dias enquanto preparo os menús para o pequeno-almoço. Estou feliz de almoçar no refeitório com todos os meus colegas mexicanos. De sair às 3, pegar na minha bicicleta e ir mergulhar. Estou feliz de ter conhecido a Maria, uma portuguesa cheia de boa energia que me tem ajudado imenso. Estou feliz de morar numa vila onde todos se conhecem. Onde é obrigatório dizer bom dia, boa tarde e boa noite. Onde é obrigatório rir de tudo e sorrir por nada.
E costuma-se dizer para não espalharmos a nossa felicidade aos quatro ventos para não estragar tudo mas sabem, eu adoro pessoas felizes!
Quando estiverem felizes espalhem sim essa felicidade e contagiem as pessoas com a vossa alegria.

Espero que agarrem um bocadinho desta energia que me sai pelos dedos e se transforma em palavras no papel.

Tulum, ou te abraça ou te cospe. (É o que dizem por aqui.)
Obrigada por me teres abraçado com toda a força do mundo, Tulum. ❤️

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