Viajar sozinha e o medo

20B8680A-C046-46F0-A3FC-B2CEDA77DE53Um dia antes de partir o braço no meio das montanhas de Laos

Voltei! Tenho andado meia ocupada pois decidi que vou viver no México.
Quanto tempo? Não sei. Os planos e eu não nos damos muito bem… Mas sei que Tulum será a minha casa por uns tempos.
Afinal quem nunca desejou viver no Caribe? 😊
Outro dia venho aqui contar-vos um pouco mais sobre Tulum e esta onda hippie-chic que o caracteriza.
Estes primeiros dias têm sido passados num hostel bem baratinho a conseguir trabalho e casa. Até já me inscrevi num ginásio e comprei uma bicicleta. Estas pequenas coisas ajudam-me a sentir em casa.
E se me perguntarem “Mas vais parar de viajar?”
– Não, nada disso mas de vez em quando sabe bem construir umas raízes em alguns lugares, criar uma rotina e desafiarmo-nos a nós próprios para sabermos que podemos começar do zero em qualquer parte do mundo.

Hoje vim aqui contar-vos um pouco da minha experiência a viajar sozinha.
Teresa não te assusta viajar sozinha?
– Antes de chegares a um país procuras saber se é perigoso?
– Já te aconteceu algo de mal?

Estas e outras perguntas chegam-me todos os dias por mensagem e mentiria se vos dissesse que não tenho medo nenhum.
Tenho! Há muitos momentos que as coisas me fogem do controlo e sem querer já me pus em situações mais delicadas algumas vezes.
Vou dar-vos um exemplo.
Das primeiras coisas que me disseram quando aterrei no México foi ‘faças o que fizeres nunca apanhes um táxi no meio da rua pois há muitos táxis ilegais que na realidade não são táxis. Liga sempre para a central de táxis ou vai a uma praça de táxis.’
Claro que, aqui a Teresinha, há umas semanas atrás, estava atrasada para a estação de autocarros, com a mochila pesada às costas e apanhou o primeiro táxi que viu na rua.
Quando vi o taxista dar umas voltas diferentes do caminho que conhecia, entrei em pânico. Fingi que estava ao telemóvel e que tinha alguém à espera e no final correu tudo bem. O taxista disse-me que estava a tentar fugir ao trânsito. Não sei se estava ou não, mas o importante é que cheguei viva à estação de autocarros.
Isto, para mostrar que imprevistos vão acontecer sempre. Temos de estar preparados para encontrar soluções.

Antes de viajar para um país tento sempre saber as linhas gerais que caracterizam o país. Gosto de pesquisar um pouco da história, as cidades mais importantes, os pontos mais turísticos e claro, saber se é um país perigoso, se bem que “um país perigoso” tem muito que se lhe diga, não acham?

Qualquer país pode ser perigoso. Até Portugal pode ser perigoso se nos metermos por caminhos que não devemos. Se ando, sozinha, às 2 da manhã, pela rua em qualquer país que visite ?

Não! Mas também não o faço em Portugal.

 

Na Ásia nunca senti verdadeiro perigo em nenhum país mas aconteceram-me algumas peripécias que irei recordar para sempre desde – estar com a minha melhor amiga, numa aldeia junto ao mar, dentro de um carro de um rapaz, que nos tinha dado uma boleia para jantar quando de repente o pneu furou no meio da serra. Não havia rede, chovia torrencialmente, o rapaz não falava inglês e nós super assustadas fizemos mil filmes nas nossas cabeças à altura de séries policiais como Csi e Mentes Criminosas. Tudo não passou de um grande susto e chegámos sãs e salvas ao hostel!
Também fomos drogadas com cogumelos mágicos, e, se agora me dá imensa vontade de rir cada vez que penso nisso, na altura entrámos em pânico com mil sensações que desconhecíamos e as pupilas do tamanho de duas azeitonas.
Outra situação na Malásia foi quando nos tentaram enfiar dentro de um táxi pois não queríamos pagar o valor exorbitante que nos estavam a pedir. Fugimos a sete pés claro. Bem que podem esperar sentadinhos se pensam que me agarram assim facilmente…
No Sri Lanka achei por bem apanhar um autocarro numa viagem que durava 8 horas sem me aperceber que iria chegar à capital, Colombo, de madrugada. Cheguei a uma estação de autocarros afastada do centro da cidade onde só havia homens (aqui o dever das mulheres é estar em casa). Apanhei um tuc tuc até ao hostel e como não queria pagar o valor que o condutor me dizia (sim por vezes sou ‘poupada’ de mais), ele começou a entrar em ruas escuras e becos sem saída. Comecei a gritar-lhe em todas as línguas que conhecia e ele acabou por me deixar no hostel.
Em Laos, parti o braço a andar de mota, no meio das montanhas, a 16 horas do hospital mais próximo.Enrolaram-me o braço numa caixa de papelão e fita-cola até chegar ao hospital. Ninguém falava inglês no hospital e nem gesso tinham. Chorei como um bebé. No final tudo ficou bem e ainda tenho os dois braços.

Como vêm há mil coisas a acontecer quando viajamos mas são essas histórias que ficam para sempre na nossa memória. E a verdade é que o medo provoca no nosso corpo algo que vicia, a adrenalina. Talvez eu esteja um pouco viciada na adrenalina que o desconhecido me traz, admito.

Como diz um provérbio chinês que eu vi pela Ásia “o medo é uma coisa que não serve para nada. As batatas servem para comer e um carro para andar. O medo não serve para nada. Não há nada que possamos fazer com ele.”

Volto em breve para responder a mais perguntas e contar-vos como corre a minha nova aventura em Tulum!!!

Beijinhos e sejam felizes.

Quem vier de férias para Tulum já sabe, encontro dos tugas por aqui ❤️

3 thoughts on “Viajar sozinha e o medo

  1. Olha quando tive aí fiz excursões com o Miguel, é um pouco como tu, deu a volta ao mundo e há 20 anos chegou aí (vive na playa del Carmen na riviera maya) e decidiu ficar aí a viver! Se puderes fala com ele ou vê no site ( exploratours)! Adorei-o e acho que ias gostar dele também! Só apetecia estar à beira dele a “beber” das suas experiencias pelo mundo!
    Obrigada por partilhares as tuas experiências

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