Australian Dream

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Gold Coast, a costa dourada da Austrália

13 de Abril, 12.12pm, Playa Azulik

Estive uma semana de cama, apanhei dengue.
Dizem que, o que não nos mata torna-nos mais fortes. Bem… Aqui estou eu, no México, depois de apanhar dengue, deitada na areia quente com o mar a tocar-me as pontinhas dos pés.
Pensamento positivo: melhor ter dengue ao pé do mar do que nas montanhas.
Life is not so bad.

Aproveitei que tive algum tempo livre para vos escrever sobre um tema sobre a qual tenho sido bastante questionada através do Instagram – Austrália e o visto que usei.
Como já referi aqui, em outro texto, existe um visto ótimo para quem queira ter uma experiência de trabalho na Austrália, o work and holiday visa, permite-vos ficar até um ano, na possibilidade de estender por mais um ano.
Eu falei-vos deste visto no outro texto porque é a forma correta de trabalhar no país.
Mas… Não quer dizer que tenha sido a forma que usei. Não fiz este visto. [Ainda.]
Ponderei muito se ía escrever sobre isto e contar-vos tudo mas se decidi partilhar um pouco da minha vida e das minhas experiências a viajar com vocês, então faz sentido contar-vos isto também.
Entrei no país com o visto de turista e aí permaneci 3 meses. Tive sorte, embora sempre tenha ouvido dizer, que a sorte se procura, e arranjei trabalho.
Com isto, não vos digo que vão todos a correr comprar um ticket de avião e vão para a Austrália trabalhar ilegal.
Não!
O meu concelho é , não o façam!
Podem ser deportados e depois nunca mais podem entrar no país, e depois… Lá se foi o Australian Dream.
Na altura estava na Ásia, não tinha feito grandes planos, e foi o que me pareceu mais acertado.
E fi-lo. E não me arrependo.
Mas…
(A minha estrelinha brilhou sempre e tudo me correu bem.)
Mas… Conheci uma alemã que fez um voluntariado comigo na Malásia, que foi deportada diretamente para o país de origem e agora durante 10 anos não pode entrar no país.
Lembro-me de ter ficado assustada e lhe ter perguntado “E agora o que vais fazer?”. Ela respondeu “O mundo é tão grande…”. (Verdade!)

Cheguei à Austrália dia 11 de Janeiro do ano passado. Aterrei na Gold Coast – a costa dourada. A costa da areia branca mais branca. Do surf. Dos tubarões. Dos crocodilos. Das cobras. Das aranhas. A costa do país onde o Sol é mais perigoso. Onde os animais são os mais perigosos. Mas ninguém está nem aí para isso e a qualidade vida é algo inacreditável.
Costumo dizer que Austrália é uma versão dos Estados Unidos mas em versão melhorada, bastante melhorada. (Sabem que a Austrália como país tem 117 anos, ou seja, foi criado “tipo” ontem comparado com toda a história de Portugal por exemplo. Por isso quando nasceu como país, já nasceu sem as coisas más que viram que nos outros países não funcionavam.)

Cheguei às 9am, vinda da Ásia (andava há 4 meses a viajar) e uma amiga de uma amiga de Portugal tinha ficado de me ir buscar ao aeroporto. Esperei e esperei mas ela nunca apareceu (tinha tido um problema e não pode ir, conheci-a umas semanas mais tarde e tornou-se minha amiga também).
Comecei a ficar um pouco desanimada sentada naqueles bancos do aeroporto. Estava cansada, com sono e fome. A Austrália é caríssima e eu já não tinha muito dinheiro comigo. Queria poupar ao máximo, para sobreviver até arranjar trabalho. Com wi-fi do aeroporto, decidi entrar na aplicação do Couchsurfing e criei um post no meu perfil,

Olá a todos! Acabei de aterrar no aeroporto da Gold Coast e preciso de um lugar para dormir. Alguém?

Escrevi esta mensagem, sem rodeios, clara e eficaz e fui comer um croissant e beber um galão e paguei 14 dólares australianos. Engoli em seco 10 vezes antes de engolir o croissant e o galão.
“Welcome to Australia Teresita”, pensei.
A primeira mensagem chegou 20 minutos depois.
“Olá Teresa, vivo com um cubano, um australiano e uma inglesa e a casa é bem pequena. E hoje chega uma italiana para couchsurfing a quem já tinha dito que podia ficar aqui. Mas anda daí. Não vais ficar na rua.”
Era o Mário, espanhol, vivia há um ano na Austrália. Família. ❤️
Deu-me a morada. Apanhei o autocarro em frente do aeroporto e lá fui eu.
Acabei por ficar com eles mais que uma noite. Fiquei quase 2 semanas.
Mostraram-me que a lua cheia se festeja na praia à volta de uma fogueira, com música e cervejas.
Organizaram uma festa de boas-vindas para mim e de repente ali estava eu com uma nova família a viver o meu sonho australiano, na praia, com umas quinze pessoas vindas de todo o mundo, à volta da fogueira a ver a Lua e a cantar canções acompanhadas da guitarra de um deles.
Ok. Life is not so bad. At all.
Uns dias depois de ter chegado, imprimí uns 30 currículos e fui, de sorriso no rosto e com o pior inglês de sempre, bater de porta em porta à procura de trabalho.
À noite, cheguei a casa com compras do supermercado e disse-lhes “Onde se compram sapatos pretos? Começo amanhã a trabalhar! Hoje cozinho eu!”
Festa. Felicidade.
Agora faltava arranjar uma casa… E arranjei, uns dias mais tarde.
Claro que, pelo meio, aconteceram mil peripécias e nem tudo correu sempre bem. A caixa de multibanco ficou com o meu cartão e fiquei completamente a zeros na Austrália, ao início o trabalho não correu a 100% porque eu não sabia falar bem inglês e o meu patrão gritava-me à frente dos clientes, e antes da resposta positiva do trabalho recebi 1000 “não”! Mas o segredo é não desistir. Ficava triste no momento mas depois pensava “se este ‘não’ ficar em mim, a próxima porta onde entrar vai sentir e vai dizer ‘não’ também”.
Praticar uma corrente de amor e boas energias é o melhor que podem fazer para atrais coisas boas.
Foi assim que sempre fiz e resultou.
Não só nesta situação. Em toda a minha vida. E a vida tem resultado para mim.

Um mês depois de trabalhar no restaurante italiano, a Gold Coast ficou sem graça, o campeonato do surf acabou, as ondas também, a temporada baixou e a cidade estava deserta.
E na verdade, também me fartei de ouvir o velho rabugento italiano gritar comigo.
Comprei um voo por 50€ e aterrei em Sydney, uma hora depois.
Comecei tudo do zero, outra vez. Com a excepção que tinha uns amigos portugueses a viver en Manly, o bairro mais cool de Sydney, do outro lado do Harbour e fiquei a viver com eles.
Tudo fluiu de uma maneira boa, tinha amigos que falavam a mesma língua que eu, arranjei vários trabalhos em eventos, como baby sitter e num café. Conheci pessoas que vou levar para a vida e criei laços fortes com outras que já conhecia. Aprendi a falar inglês, português com sotaque do Brasil e espanhol com sotaque da Argentina.
[Há bairros em Sydney que tem mais brasileiros e argentinos a viver do que australianos.]
Sydney é uma das cidades mais multiculturais que conheci, tem imensas coisas para ver e fazer e está sempre qualquer coisa a acontecer. É fácil sentir-se bem-vindo. Tudo é super caro, é um facto , mas o salário é muito, muito bom e a qualidade de vida também.
Agora, uma coisa menos boa…
Meus amigos, não pensem que vão para a Austrália fazer a mesma vida que fazem em Portugal. Acabaram-se as cervejinhas na esplanada depois do trabalho e as saídas até às tantas ao fim-de-semana. As festas acabam cedo, o álcool é super caro, só pode ser consumido dentro de espaços adequados, como bares e restaurantes e para comprarem álcool nas ‘liquor stores’ precisam de passaporte, sempre. A partir de uma certa hora não podem beber na rua. Quase não se pode fumar em lado nenhum (e estou a falar de tabaco) e drogas são completamente ilegais.

Mas, para concluir, a Austrália vale muito a pena para ganhar e juntar dinheiro, para prender inglês (se conseguirem entender e falar o inglês ‘slang’ da Austrália, estão preparados para o mundo), para aprender surf, perder o medo dos animais mais perigosos do mundo, principalmente aranhas gigantes e peludas (vão estar sempre presentes na vossa vida), para desmistificar o sonho australiano: NÃO, nem todos os australianos são como nos filmes, altos, morenos, de cabelo comprido e surfistas. NÃO, nem todas as australianas são altas, loiras e surfistas. Vale a pena para verem um dos mais bonitos nasceres-do-Sol no Pacífico e muitas outras coisas.
Então, o meu concelho é, vão sim! Vão viver o vosso sonho australiano!

E, quem precisar, que me escreva, tenho um amigo português que conheci lá que trabalha numa agência, que trata dos vistos para a Austrália, e posso dar o contacto.

Cheers mates!!
Teresa ❤️

Viajar e a regra dos 7

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Já não venho aqui há algum tempo dar-vos novidades mas sabem que podem sempre seguir as minhas aventuras no meu instagram @teresa_aroundtheworld.

Tenho dividido os meus dias em trabalho, ginásio, mar, cenotes, o nascer do Sol, Luas cheias na praia e muita felicidade.
É verdade quando dizem que quando estás a viver bem os teus dias eles passam a voar.

Hoje venho aqui falar-vos sobre uma questão que me tem sido colocada por muitos de vocês. Pode parecer algo mais superficial mas eu acho igualmente importante para quem viaja.
O que é que devo levar na mochila para viajar? Quantos quilos preciso para viajar? Quais as peças que não podem faltar? Aqueles 3 pares de calções de ganga fazem todos falta?
(…)
Então hoje vou contar-vos o que trago na mochila, com quantos quilos viajo e como faço com a roupa para o frio e calor.

Vão ficar surpreendidos mas ando a viajar com uma mochila de 10 kilos (30 litros).
Sim, leram bem! (Eu própria me orgulho deste acto, confesso.)
Não foi sempre assim, admito. Mas depois de um ano a viajar pela Ásia e Austrália com uma mochila que pesava sempre entre 16 a 18 kilos (70L) jurei a mim mesma que nunca mais. Não usava nem metade da roupa e, andar à boleia, dormir em qualquer lado, andar de barco, de avião e autocarro com 18kg não dá jeito nenhum. E depois ainda vem a dor de cabeça de esperar a mala vir do porão (isto é, quando vem, horas intermináveis nas filas dos aeroportos, etc.)
Ah! Já para não falar do dinheiro que gastei cada vez que queria pôr a mala no porão. Cheguei a conseguir viagens a 20€ na Ásia pela AirAsia e colocar a mala no porão custava-me o dobro do bilhete.
Isso tudo acabou para mim.

Adoro a minha mochila de 10kg (às vezes faço batota e vou até aos 12kg mas nunca ninguém me chamou a atenção nos aeroportos).
Existem algumas regras para conseguir viajar com tão pouco peso.
Primeiro que tudo, e respondendo a muitas mensagens, eu odeio o frio e raramente viajo para lugares em que preciso mais que um casaco, o que facilita.
Quem me conhece e segue as minhas viagens já percebeu que desde que saí de Portugal o meu lema sempre foi ‘’following the sun’’. A única vez que precisei de roupa quente foi quando viajei pelas montanhas da Califórnia e pelo Grand Canyon. Antes de ir, fui a uma loja de roupa vintage em Los Angeles e comprei um casaco super quentinho, um gorro, umas luvas e uns pares de meias de lã, tudo em segunda mão, barato e super cool.
Ah, e em Bali, quando visitei o vulcão Batur. Aí, não tinha noção que estaria tanto frio (Bali e frio não combinam na mesma frase). Nesses dias que estive na vila do vulcão vesti todas as T-shirt’s umas por cima das outras e o meu casaco de fato-de-treino com capuz que viaja SEMPRE comigo. É uma peça obrigatória para estas ocasiões. E para dormir nos aeroportos. E viajar nos autocarros com ar condicionado no máximo onde está sempre um frio de rachar. E para andar na rua à noite e ficar com um ar de durona e assim ninguém se meter comigo.
[É engraçado lembrar-me de todos os aeroportos e estações onde já dormi. Já perdi a conta – vida de mochileiro.]

Existe uma regra que todos os backpackers sabem para viajar ‘mais com menos’ – a regra dos 7.
Quem viaja de mochila às costas sabe que 7 peças para cima, 7 peças para baixo e 7 peças de roupa interior são mais que suficientes para viver um mês, um ano… Ou quem sabe uma vida.
Vou contar-vos o que trago na minha mochila:

  • uns leggings, ótimos para fazer viagens longas, quer seja de autocarro, barco ou avião; para fazer trekking pelas montanhas, exercício e para o frio.
  • 4 t-shirt’s com mangas a tapar os ombros, pois nunca sabemos a cultura de cada país, largas porque são confortáveis e para não chamar demasiado a atenção. Na Ásia por exemplo em quase todos os países budistas ou muçulmanos andava de ombros tapados.
  • 3 tops, super práticos, não ocupam espaço, não pesam e são necessários quando está muito calor. Às vezes também os uso para dormir. Ou para sair à noite. Who cares?
  • 1 calções de ganga, dão para a praia, montanha ou até para sair. Não muito apertados pois com o calor tendemos a inchar… Bom com o calor e com toda a comida asiática que eu amo e que me fez engordar 7kg na Ásia.
  • 2 calções de tecido, não pesam nada e são super frescos.
  • 1 calças de tecido largas e confortáveis. Comprei na Tailândia com uns elefantes e são uma peça de estimação.
  • 1 vestido comprido, serve para a noite ou dia, para visitar templos, para a praia, para tudo basicamente.
  • 1 vestido curto, só porque gosto.
  • 1 lenço para o pescoço, que serve também para tapar os os ombros quando não estou à espera de visitar um templo e tenho os ombros à mostra.
  • 1 pareo ou sarong (nunca sei como lhe chamar) que serve para a praia e também de toalha de banho quando nos hosteis me obrigam a pagar as toalhas. [há que poupar]
  • Roupa interior.
  • 1 ténis, tem que ser bons para caminhar, correr, subir montanhas, nem muito quentes nem muito frios. Os ténis vão sempre na parte fora da mochila atados pelos atacadores. Assim não ocupam espaço.
  • 1 sandálias mais bonitinhas e 1 havaianas para a praia.
  • 1 mochila de pano que comprei em Laos feita à mão. Dá para enrolar e fica no cimo da mochila grande. [menos espaço ocupado também]
  • 1 necessaire com 1 shampoo, 1 amaciador, 1 pasta dos dentes e 1 escova ,1 creme para a cara, 1 creme para o corpo, 1 gel de banho, 1 óleo para o meu cabelo estragado do Sol e do mar, 1 gel para lavar a cara, 1 protector solar, tampões e um pente. Chega!
  • 1 bolsa com 1 base, 1 pó bronzeador, 2 pincéis, 1 conjunto mini de 3 sombras, 1 lápis e 1 rímel, (sim ando a viajar mas calma, sou gaja. Preciso de me sentir bonita às vezes).
  • 1 casaco. O casaco. Viajo sempre com o meu casaco de fato-de-treino com capuz 2 tamanhos acima do meu , super confortável para viajar e serve para tudo como já vos contei.
  • 1 óculos de Sol
  • 2 biquínis
  • 1 livro, sempre.
  • 1 livro de mandalas para colorir (para passar o tempo naquelas escalas de 12 horas).
  • 1 diário, o meu diário está sempre comigo.
  • 1 tablet onde vejo uns filmes antes de dormir quando não me apetece ficar nas escadas do hostel a fumar cigarros, a beber cervejas e a conhecer as pessoas que vão partilhar o mesmo quarto que eu.
  • 1 telemóvel.
  • O meu passaporte.

E tudo isto meticulosamente dobrado e guardado faz os 10 kg. Ou 12 às vezes.
Claro que já me aconteceu alguma roupa se estragar, perder outra ou querer muito comprar uma peça nova (na Ásia por exemplo a roupa é super barata). Nesses casos vou deixando roupa, às vezes dou a pessoas que conheço, locais ou mochileiros e outras vezes troco com outras viajantes.
Quando vivi na Austrália 3 meses comprei mais roupa e outras coisas que o normal, precisava de algumas peças para trabalhar, sapatos, etc. O mesmo se passa em Tulum. Antes de voltar a viajar enviei uma caixinha, com tudo o que não precisava para Portugal pelo correio. Chegou tudo são e salvo.

Espero ter ajudado com este post.
Em breve volto aqui, prometo. Ainda que o meu breve possa significar um dia, uma semana, um mês. Ou quem sabe, uma vida.
A vida passa a correr e eu ainda não fiz metade do que quero fazer.

Sejam felizes, Teresa

A casa da encosta

4ADCBB02-B4AC-4DD3-92EF-12C738193EB4Este texto foi escrito nesta praia em Puerto Escondido, um lugar que me roubou o coração.

Estou sentada na praia à espera que o Sol se ponha. Num dos meus momentos preferidos, numa das minhas praias favoritas, à espera de mais um dos milhões de pores-do-Sol que já vi. Tenho-os todos guardados na minha coleção de pores-do-Sol numa das gavetinhas da memória.
Engraçado, quando era pequenina achava que dentro do nosso corpo haviam gavetas para guardarmos todas as memórias. Talvez ainda ache. Seria tudo muito mais organizado se todas as memórias estivessem guardadas com etiquetas, cada uma em sua gavetinha…
Faltam uns 20 minutos para o pôr-do-sol.
E eu estou ali sentada na areia com a minha música e o meu diário a aproveitar os últimos raios de luz. Fico hipnotizada tantas vezes, a ver aquela cor-amarelo-forte-do-Sol sobre o azul do mar. Fascina-me o jogo de cores que se forma no céu cada vez que o Sol nos deixa mais um dia. É hora de agradecer. Ao Sol, ao mar, à vida, por tantas coisas bonitas que nos oferece diariamente. E são grátis.
Na encosta da praia há uma casa. Reparo nela todos os dias.
Sempre que chego à praia, à minha favorita, e olho para o lado esquerdo lá está aquela encosta verdejante a descer para o mar com aquela casa de madeira tão bem cuidada. Sou bastante curiosa, é verdade. E aquela casa transmite-me uma boa energia.
– Foi feita com amor, tenho a certeza.
Está a meio da colina e facilmente se chega à praia. Tem um caminho de pedras que acaba onde a areia branca começa e nos leva até ao mar.
Faltam uns 15 minutos para o Sol se por. Talvez menos. Nunca fui muito boa em cálculos mas já quase adivinho as horas pela posição do Sol no céu.
[Habilidades que se ganham a viajar.]
Volto a olhar aquela casa que me inquieta. Vejo um homem no início da colina. Tem uma prancha de surf na mão. Deve ter os seus 35. Talvez 36. Tem bom ar. Ao seu lado estão duas crianças, dois rapazes. São bastantes parecidos. Os três. Com 4 e 5 anos talvez. Têm também pranchas na mão e o mesmo corte de cabelo que “o pai”, suponho eu. São giros os miúdos. Usam calções de banho iguais e um sorriso tão grande que não lhe cabe na cara.  Nem os conheço mas já estou apaixonada.
Pelas minhas contas, faltam uns 10 minutos para o Sol desaparecer e transformar o céu numa verdadeira obra de arte.
Os três correm em direção ao mar com as suas pranchas. Os mais pequenos parecem não ter medo algum das ondas (não muito grandes) que vêm, uma após outra, contra eles. Sob o olhar atento do pai e com a sua ajuda, um de cada vez, vão surfando as ondas… Que máximo! Aquele final de tarde deve ser rotina na vida deles.
Estou deliciada a olhar aqueles três na água a rirem às gargalhadas. Parecem felizes.
O Sol está quase a tocar na água. Devem faltar uns 5 minutos para o final de mais um dia.
Naquela meia luz, única, do entardecer, ainda consigo vislumbrar uma mulher sentada na escada da casa da encosta. Aquela casa é realmente bonita, toda de madeira bem cuidada, com janelas com portadas enormes. As cortinas brancas esvoaçam pela varanda que rodeia a casa toda. A casa tem dois andares mas parecem três pois está construído em cima de grandes estacas de madeira. Na varanda virada para o mar podem-se ver três redes brancas de baloiçar feitas em crochê. Tem varias pranchas encostadas às portadas e dois cães sentados ao lado daquela mulher. Ela tem um ar sereno. E feliz. Deve ter uns 33, talvez 34. Não sei bem. Tem um livro na mão e uma chávena na outra. Sorri calmamente para o mar. Ou talvez seja só a minha mente a viajar.
Como não sorrir? Tem aquela casa tão linda na encosta da praia mais bonita. E aquelas crianças tão espertas, com o seu cabelo comprido cortado igual ao pai. E tem o amor da sua vida ali na água a rir e a sorrir com o sorriso mais bonito que já vi, admito.
O Sol já se pôs. O céu é agora uma aguarela cheia de nuvens cor-de-rosa feitas de algodão-doce.
Abro os olhos e percebo que me deixei meditar e a minha mente me levou numa grande viagem.
Eu não sei o nome daqueles miúdos tão queridos e muito menos do homem de prancha na mão, mas ali, na casa da encosta, aquela mulher sentada nas escadas, era eu à espera que o Sol se ponha, num dos meus momentos preferidos, numa das minhas praias favoritas, à espera de mais um dos milhões de pores-do-Sol que já vi.

Tulum, “o te abraza o te escupe”

B5DA950C-597C-4F42-ADC8-1AD7FEAF7641Casa Cenote. Os cenotes são cavidades naturais, formações geológicas que conectam a superfície com águas subterrâneas, formando uma grande piscina clara e limpa. Existem mais de 7000 no México e eram usados em alguns rituais de sacrifício na civilização maia.

Cheguei a Tulum há 21 dias. Cheguei preguiçosa com vontade de relaxar, depois de umas mega férias muito felizes com a minha Carolininha. As minhas emoções estavam todas à flor da pele. Estava meia deprimida pois tinha ficado sem a minha Carol, entusiasmada com o interior do México, com as montanhas na província incrível de Chiapas e ansiosa por saber se iria conseguir um trabalho em Tulum.
Se me perguntarem – Porquê o México? Porque escolher o México para trabalhar? – Não sei!
Eu só sei que o México tem o meu coração. É tão fácil apaixonarmo-nos pelo México. E no México também.
Esta gente daqui que nos abraça com o sorriso e nos aquece com as palavras. Esta gente que tem a música no sangue, a música que nos deixa alegres mesmo nos piores dias, o mezcal (bebida parecida com o nosso bagaço) que nos faz esquecer os problemas. Como eles dizem aqui “Mezcal para todo el mal, y para todo el bien, también”. A comida que nos faz rebolar. Os tacos. Os totopos. As enchiladas. As tortas. O arroz com feijão. As praias. A natureza. Tudo.
É tão bom estar aqui. Sinto-me em casa. Sinto-me em família.
O México tem sem dúvida o meu coração.

Continuando a minha história de hoje… Cheguei e instalei-me num hostel onde pagava 8€ por noite com pequeno-almoço. Na Ásia havia mais barato (por exemplo 2€ por noite) mas para Tulum não está nada mal.
Sim! Dormia num quarto partilhado com mais 13 pessoas. Sim tomava banho de água fria. Sim isso não tem qualquer importância para mim.
E sabem porquê?
Cada vez que vou à caixinha das memórias buscar os lugares que já estive nunca me vem à cabeça quantos banhos frios tomei mas sim as pessoas que se cruzaram comigo, os lugares incríveis onde estive, os mares azuis onde nadei, a quantidade infinita de pores-do-Sol que vi, e tantas outras coisas lindas que me aquecem o coração.
Parando de divagar e voltando à minha história… Depois de cinco dias a visitar praias secretas, cenotes, comer e dormir, decidi alugar uma bicicleta e ir procurar trabalho.
– Trabalha malandra! – já dizia a minha avó.
Fui a uma papelaria imprimir o meu currículo que tenho sempre numa pen USB comigo, coloquei um sorriso na cara e lá fui eu feliz da vida cheia de boa energia procurar um trabalho. Disse a mim mesma que não voltava ao hostel sem ter um trabalho.
Estava a estacionar a bicicleta em frente a um resort na praia quando aparece o segurança a dizer que eu não podia estacionar ali. Pedi desculpa e expliquei-lhe que só iria ficar ali meia hora para entregar uns currículos. Não deixou mas disse-me que, se eu andava a procurar trabalho tinha ido ao sítio certo. Levou-me aos recursos humanos. Entrei no escritório às 10 da manhã e saí às 2 da tarde. Com um trabalho! – Estavam à procura de uma hostess.
Agradeci tanto mas tanto ao senhor. E ao meu novo patrão. E à vida.
É tão bom agradecer!
Obrigada! Obrigada! Obrigada!
O universo sempre coloca coisas boas no nosso caminho. Só precisamos estar atentos! E aproveitar.
E sim eu sei que por vezes pareço o guru da felicidade a falar e muitos me dizem que o mundo não é assim tão fácil como eu o pinto. Mas eu falo apenas das minhas experiências.
Cada um pinta o seu mundo como quiser. E a vida é fácil sim. Nós gostamos de a complicar às vezes. Eu vejo-a cada vez mais descomplicada. Aceito tudo o que ela me dá e aprendi a relativizar os problemas.
Quantas vezes temos um ‘problema’ que, se pensarmos bem nele, nem problema é? Eu antes achava que não ter mais que 10 pares de sapatos para calçar era um problema. Até ver famílias inteiras a dormir na rua no Myanmar, sem comida, sem um teto, sem água, com a maior das levezas. Num país onde é normal isto acontecer. Isto é apenas um exemplo.
Quando a vida nos dá limões… Vamos aproveitá-los para algo.

Tenho andado tão feliz que ninguém imagina. Estou feliz por acordar às 6 da manhã (ainda que não seja muito simpática até beber café). Estou feliz de tomar banho de água fria. De ir trabalhar às 7. De ver o Sol nascer no mar todos os dias enquanto preparo os menús para o pequeno-almoço. Estou feliz de almoçar no refeitório com todos os meus colegas mexicanos. De sair às 3, pegar na minha bicicleta e ir mergulhar. Estou feliz de ter conhecido a Maria, uma portuguesa cheia de boa energia que me tem ajudado imenso. Estou feliz de morar numa vila onde todos se conhecem. Onde é obrigatório dizer bom dia, boa tarde e boa noite. Onde é obrigatório rir de tudo e sorrir por nada.
E costuma-se dizer para não espalharmos a nossa felicidade aos quatro ventos para não estragar tudo mas sabem, eu adoro pessoas felizes!
Quando estiverem felizes espalhem sim essa felicidade e contagiem as pessoas com a vossa alegria.

Espero que agarrem um bocadinho desta energia que me sai pelos dedos e se transforma em palavras no papel.

Tulum, ou te abraça ou te cospe. (É o que dizem por aqui.)
Obrigada por me teres abraçado com toda a força do mundo, Tulum. ❤️

Viajar sozinha e o medo

20B8680A-C046-46F0-A3FC-B2CEDA77DE53Um dia antes de partir o braço no meio das montanhas de Laos

Voltei! Tenho andado meia ocupada pois decidi que vou viver no México.
Quanto tempo? Não sei. Os planos e eu não nos damos muito bem… Mas sei que Tulum será a minha casa por uns tempos.
Afinal quem nunca desejou viver no Caribe? 😊
Outro dia venho aqui contar-vos um pouco mais sobre Tulum e esta onda hippie-chic que o caracteriza.
Estes primeiros dias têm sido passados num hostel bem baratinho a conseguir trabalho e casa. Até já me inscrevi num ginásio e comprei uma bicicleta. Estas pequenas coisas ajudam-me a sentir em casa.
E se me perguntarem “Mas vais parar de viajar?”
– Não, nada disso mas de vez em quando sabe bem construir umas raízes em alguns lugares, criar uma rotina e desafiarmo-nos a nós próprios para sabermos que podemos começar do zero em qualquer parte do mundo.

Hoje vim aqui contar-vos um pouco da minha experiência a viajar sozinha.
Teresa não te assusta viajar sozinha?
– Antes de chegares a um país procuras saber se é perigoso?
– Já te aconteceu algo de mal?

Estas e outras perguntas chegam-me todos os dias por mensagem e mentiria se vos dissesse que não tenho medo nenhum.
Tenho! Há muitos momentos que as coisas me fogem do controlo e sem querer já me pus em situações mais delicadas algumas vezes.
Vou dar-vos um exemplo.
Das primeiras coisas que me disseram quando aterrei no México foi ‘faças o que fizeres nunca apanhes um táxi no meio da rua pois há muitos táxis ilegais que na realidade não são táxis. Liga sempre para a central de táxis ou vai a uma praça de táxis.’
Claro que, aqui a Teresinha, há umas semanas atrás, estava atrasada para a estação de autocarros, com a mochila pesada às costas e apanhou o primeiro táxi que viu na rua.
Quando vi o taxista dar umas voltas diferentes do caminho que conhecia, entrei em pânico. Fingi que estava ao telemóvel e que tinha alguém à espera e no final correu tudo bem. O taxista disse-me que estava a tentar fugir ao trânsito. Não sei se estava ou não, mas o importante é que cheguei viva à estação de autocarros.
Isto, para mostrar que imprevistos vão acontecer sempre. Temos de estar preparados para encontrar soluções.

Antes de viajar para um país tento sempre saber as linhas gerais que caracterizam o país. Gosto de pesquisar um pouco da história, as cidades mais importantes, os pontos mais turísticos e claro, saber se é um país perigoso, se bem que “um país perigoso” tem muito que se lhe diga, não acham?

Qualquer país pode ser perigoso. Até Portugal pode ser perigoso se nos metermos por caminhos que não devemos. Se ando, sozinha, às 2 da manhã, pela rua em qualquer país que visite ?

Não! Mas também não o faço em Portugal.

 

Na Ásia nunca senti verdadeiro perigo em nenhum país mas aconteceram-me algumas peripécias que irei recordar para sempre desde – estar com a minha melhor amiga, numa aldeia junto ao mar, dentro de um carro de um rapaz, que nos tinha dado uma boleia para jantar quando de repente o pneu furou no meio da serra. Não havia rede, chovia torrencialmente, o rapaz não falava inglês e nós super assustadas fizemos mil filmes nas nossas cabeças à altura de séries policiais como Csi e Mentes Criminosas. Tudo não passou de um grande susto e chegámos sãs e salvas ao hostel!
Também fomos drogadas com cogumelos mágicos, e, se agora me dá imensa vontade de rir cada vez que penso nisso, na altura entrámos em pânico com mil sensações que desconhecíamos e as pupilas do tamanho de duas azeitonas.
Outra situação na Malásia foi quando nos tentaram enfiar dentro de um táxi pois não queríamos pagar o valor exorbitante que nos estavam a pedir. Fugimos a sete pés claro. Bem que podem esperar sentadinhos se pensam que me agarram assim facilmente…
No Sri Lanka achei por bem apanhar um autocarro numa viagem que durava 8 horas sem me aperceber que iria chegar à capital, Colombo, de madrugada. Cheguei a uma estação de autocarros afastada do centro da cidade onde só havia homens (aqui o dever das mulheres é estar em casa). Apanhei um tuc tuc até ao hostel e como não queria pagar o valor que o condutor me dizia (sim por vezes sou ‘poupada’ de mais), ele começou a entrar em ruas escuras e becos sem saída. Comecei a gritar-lhe em todas as línguas que conhecia e ele acabou por me deixar no hostel.
Em Laos, parti o braço a andar de mota, no meio das montanhas, a 16 horas do hospital mais próximo.Enrolaram-me o braço numa caixa de papelão e fita-cola até chegar ao hospital. Ninguém falava inglês no hospital e nem gesso tinham. Chorei como um bebé. No final tudo ficou bem e ainda tenho os dois braços.

Como vêm há mil coisas a acontecer quando viajamos mas são essas histórias que ficam para sempre na nossa memória. E a verdade é que o medo provoca no nosso corpo algo que vicia, a adrenalina. Talvez eu esteja um pouco viciada na adrenalina que o desconhecido me traz, admito.

Como diz um provérbio chinês que eu vi pela Ásia “o medo é uma coisa que não serve para nada. As batatas servem para comer e um carro para andar. O medo não serve para nada. Não há nada que possamos fazer com ele.”

Volto em breve para responder a mais perguntas e contar-vos como corre a minha nova aventura em Tulum!!!

Beijinhos e sejam felizes.

Quem vier de férias para Tulum já sabe, encontro dos tugas por aqui ❤️

Hoje eu quero falar sobre o Sol

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Pôr-do-Sol em Koh Lipe, Tailândia

Escrevi este texto há praticamente um ano na Ásia depois de um retiro de 10 dias em silêncio e continua a ser um texto que gosto de ler para me lembrar que o Sol nasce sempre. Decidi partilhá-lo com vocês. ❤️

“Este texto foi escrito numa das tantas vezes que vi emocionada o Sol a pôr-se. Escrevi-o no meu diário da viagem e agradeci à vida por todas as pequenas grandes coisas que ela me dá.

Hoje eu quero falar sobre o Sol.
Eu confesso, eu adoro ver como ele nasce todas as manhãs e as cores que provoca no céu. Adoro ver como ele brilha sobre a água.
Todas as tardes eu quero poder sentar-me com a minha chávena de café, a minha música, o meu livro e o meu cigarro e vê-lo descer calmamente até desaparecer. Eu deliro com o contraste do amarelo, do laranja e do vermelho do céu quando o Sol se põe com o azul do mar. E isso chega-me para ser o ponto alto do meu dia. Às vezes deixo-me ficar pela noite dentro e fico ali sentada só a pensar na sorte que tenho por poder admirá-lo mais um dia.
Todas as manhãs o Sol brilha, mesmo quando não o vemos e todas as noites ele se afunda no horizonte. E mesmo depois de se afundar, no dia seguinte ele está pronto para brilhar mais uma vez.
Quando eu tinha 6 anos, acordei e a minha mãe não estava lá.
E o Sol nunca parou de brilhar.
Na escola sofri de bullying.
E sempre que eu olhava para cima, o Sol estava lá, a brilhar.
Com 17 anos fugi de casa com uma mochila mais pequena que esta que ando a viajar.
E o Sol, lá estava, no lugar dele, a brilhar.
Eu já caí algumas vezes e mesmo quando estava no chão eu pude ver o Sol a brilhar.

Então obrigada Sol, por a cada novo dia, me reiniciares.
Brilhas esplendorosamente, não importa o que aconteça.
E essa é a grande lição que tiro desta viagem. Obrigada por me fazeres acreditar que a cada dia que nasces, há um novo começo para mim também, uma oportunidade de fazer diferente, uma nova forma de ser feliz.
E agora, a cada nascer do Sol eu estou feliz, de cada vez que o Sol se põe eu estou feliz, a cada paisagem que conheço eu estou feliz, cada sorriso que esbarra em mim faz-me feliz.
E a verdade é que esta felicidade não vem deles. Não é por causa deles. É de mim. É por mim. Esta felicidade, ela reside em mim. Eu só precisava de a encontrar. Passei anos a procurar esta felicidade nos outros, em pessoas, em coisas. Colecionei amores, malas e sapatos. Enchia a minha casa e o meu coração para compensar a minha alma vazia. E não entendia porque é que nunca resultava com ninguém, porque é que a mala perdia a graça passado uns dias, porque é que os sapatos ficavam esquecidos num canto.
Eu entendi que o problema não era deles. Era meu. Eu é que não sabia o meu lugar no mundo. Eu tentava encontrar neles o que sempre esteve em mim.
E agora quando me sento com a minha chávena de café a contemplar o Sol eu tenho o coração cheio de plenitude e felicidade.

Descobri que está tudo aqui. Só precisamos de prestar atenção. ❤“

Voluntariado e outros meios para poupar dinheiro

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Foto de um voluntariado que fiz com crianças ❤️

 

Antes de começar a falar do tema que vos quero falar hoje – voluntariado e outros meios que nos ajudam a poupar algum dinheiro em viagem e ainda nos integram na cultura – vou só contar-vos a minha “pequena” aventura!

Há já alguns dias que tenho viajado pelo interior do México, pelas montanhas, canyons, ruínas maias e cascatas.
Tenho visto paisagens de cortar a respiração,daquelas que nem parecem reais que me deixam sensibilizadas e chocadas com a grandeza da natureza… Continuando, saí de Palenque (lugar que recomendo muito) em direção a Tulum, na costa do caribe, numa viagem que era suposto demorar 13 horas. Pois bem o que aconteceu foi que me enganei no autocarro e acabei por acordar na fronteira de Guatemala. Conclusão, tive que chegar até à cidade mais próxima depois da fronteira e comprar um novo bilhete de autocarro para viajar para trás até Tulum (mais 9 horas).
Nem sempre corre tudo bem mas são estas histórias que ficam para contar um dia mais tarde – “Oh Teresa e quando foste parar a Guatemala sem querer ?”

Voltando ao tema de hoje. Voluntariado.
O meu primeiros voluntariado foi numa ilha no norte da Malásia, Langkawi. O meu trabalho era limpar a praia e cuidar do jardim em troca de dormida e pequeno-almoço. Isto permitiu-me ficar numa ilha praticamente deserta sem qualquer custo. Dormia num deck de madeira aberto dos lados com mosquiteiros (ou para os mais românticos rede das princesas) a proteger dos mosquitos, tomava banho debaixo das estrelas e cozinhava com os pés na areia. Das experiências mais bonitas que tive.

Existe um site chamado workway.info onde podem encontrar estes e outros projetos de voluntariado. A inscrição tem um custo anual mas vale muito a pena. Podem escolher o país e a cidade para onde pretendem viajar e aparece-vos todos os voluntariados existentes nessa zona. Normalmente nestes projetos trabalha-se entre 4 a 5 horas por dia durante 5 dias por semana o que faz com sobre muito tempo livre ainda durante o dia e ficamos sempre com 2 dias para conhecer o lugar onde estamos e relaxar.
ANTES de aceitar qualquer voluntariado leiam sempre bem o perfil de cada projeto assim como o feedback deixado por outros voluntários. Assim podem ter a certeza que o projeto vai de encontro ao que procuram.
Para além da Malásia, ajudei também a construir um camping numa das minhas ilhas favoritas da Tailândia, Koh Lipe e ensinei inglês a uma família tailandesa em troca de comida e dormida. Vivi num centro budista no Myanmar onde era voluntária no hospital (foi o projeto de voluntariado que mais me marcou), ensinei inglês numa escola no norte da Tailândia, ajudei num hostel no Sri Lanka, etc, etc. Umas vezes apenas em troca de dormida, outras em troca de comida e dormida. Estes projetos são ótimos também para se conectarem com outros viajantes. Conheci pessoas que levo para sempre no meu coração. ❤️
* Outro meio que vos ajuda a poupar e que já falei aqui são os transportes locais de cada país. Esqueçam as vans e as tours e vão por vossa conta. Usem e abusem dos autocarros e comboios, são a melhor forma de conhecer verdadeiramente um país pois para além de verem paisagens incríveis durante horas e horas de viagem também viajam ao lado de locais. Falem com eles! Vão descobrir pormenores interessantíssimos sobre o país que o turismo de massa por si só não nos mostra.
Eu uso muitas vezes os transportes noturnos, para além de serem mais baratos ainda consigo poupar uma noite num hostel, pois durmo durante a viagem e de manhã chego pronta a conhecer o lugar onde cheguei.
* Existe também um site chamado couchsurfing.com que uso com bastante regularidade nas minhas viagens. Talvez este site não seja para todos e sim para os mais ousados e extrovertidos pois nem todos gostamos de partilhar o nosso espaço com estranhos. Eu, que fico em hostels onde partilho quarto com mais de 10 pessoas, não vejo problema algum. Couchsurfing é uma plataforma onde podem encontrar um sofá ou uma cama em casa de pessoas locais que vivam nos diferentes lugares. Basta colocarem a cidade onde querem ir e aparece-vos uma lista de pessoas que estão dispostas a oferecer uma cama/sofá para dormir. Assim como no workway podem também ver o perfil de cada um, assim como o feedback de outros viajantes. CLARO, que temos que ter os olhos bem abertos pois nem todos estão pelo bem. Principalmente para as meninas, não fiquem em casa de pessoas que não tenham bom feedback e no meu caso também não fico em casa de homens sozinhos mas isso está ao critério de cada um.
* O mais louco dos meios que já usei e que aconselho a todos a experimentarem (sempre com cuidado) é viajar à boleia! É incrível como encontramos pessoas com coração gigante onde menos esperamos. Fiz a Tailândia e Malásia à boleia com a minha melhor amiga e no Myanmar fiz sozinha e foi incrível! No final convidaram-me para comer em casa deles e fizemos uma grande festa onde os sorrisos e as gargalhadas eram o mais importante pois eles não falavam inglês e ainda bem porque eu também não.
Foi nestes e outros casos que eu percebi que a forma de comunicação mais importante é a nossa linguagem corporal, são as nossas expressões, os nossos braços abertos que nos fazem falar e entender os outros tão mais do que qualquer língua no mundo. É o nosso sorriso que nos faz integrar onde quer que estejamos.

Tem ainda sites como wwoof.net onde podem ser voluntários em quintas pelo mundo inteiro, worldpackers.com do mesmo género do workway ou trustedhousesitters.com onde podem tomar conta da casa de pessoas que vão de férias e podem ficar lá a viver. Existem muitos mais deste género, só tem de procurar.
Na verdade está tudo aqui à nossa volta, só temos de estar atentos ❤️

Termino assim este texto esperando ter ajudado. Podem enviar todas as questões que tiverem e eu tento escrever textos que respondam a todos os mitos que se falam por aí sobre viajar.

Beijos e muito amor para todos. Eu vou dar um mergulho.